LITERARIUM PATHOS

a Quixotesca tarefa de ser Bovary

Mia Couto: Capas edições e afins

“Os livros são objetos transcendente”

Como já deixei claro aqui, sou um apaixonado por livros. Não somente pelo valor simbólico do conhecimento a eles atrelado; mas também, pelo valor material e estético do objeto em si. Eu adoro o cheiro de livro novo. A cor dos livros velhos, a segurança dos Hard Covers, a beleza das luvas protetoras, e até mesmo o corte fino do papel no dedo. Acho que essa minha fixação deve ter origem na mais remota idade do meu ser…

“Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.”

Mas de qualquer forma, esse não é um texto sobre mim (se é que é possível escrevermos algo que não sobre nós). Meu intuito aqui é falar das capas (belas muitas delas) das edições dos livros do Mia Couto. Claro que muitos podem pensar da inutilidade de tal coisa, e tudo mais… Não discutirei. Como disse no início, sou um apaixonado pelo objeto livro; e talvez, entre aqueles que me leem, talvez encontre pessoas (como eu) tão encantadas pelo objeto em si, que entendam sem questionar, a razão de algo assim.

Da editora Caminho identifico três grupos de Capas; ou melhor, três projetos gráficos distintos. O último deles (ou pelo menos aquele que acredito ser o último) é o que menos me agrada. Cada livro tem uma cor quente (cítrica) dominante, com alguns desenhos (sombras) em preto, o que revela até que interessante jogo de luz e sombra. O Projeto não chega a ser feio, mas acho que não dialoga muito bem com a obra do Mia.

Slide1

Muito mais interessante é o primeiro projeto gráfico. (ou, novamente, pelo menos aquele que acredito ser o primeiro) Com o fundo sempre em azul, o que para mim me remete a água, seja da chuva ou do oceano, duas instâncias sempre muito presente na obra de Mia Couto, e alguma ilustração com traços de clara inspiração africana, sempre dialogando com a obra.

Slide2

Com pequenas Variações inventariei nesse mesmo projeto gráfico, um outro grupo de capas. São as mesma figuras e ilustrações agora em fundo branco e não mais em azul.

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Por último, e aquele dentre os três que mais gostei é um projeto, que a despeito de sua aparente desorganização revela-se uno e coeso. Cada uma das obras apresenta uma cor de fundo única aparentemente desbotada, envelhecida, com diversas ilustrações espalhadas  pela capa. O parente envelhecimento das texturização evidenciam a ideia do tempo e imprimi no leitor a concepção de segurar em suas mão obra ancestral da humanidade. Ancestralidade essa reafirmada pelas ilustrações simbólicas, ligeiramente deformadas e oníricas; ilustrações que por sua vez, dialogam com o mítico, o mágico e o maravilhoso de Mia.

Slide4

A minha intenção era falar ainda das ilustrações das edições da editora Nadjira e da Companhia das Letras, mas como o post acabou ficando longo, paro por aqui, assumindo o compromisso de voltar para falar das edições das outras editoras.

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Um comentário em “Mia Couto: Capas edições e afins

  1. rodrygotnk
    janeiro 16, 2013

    Nossa! Gostei muito da sua proposta! Você fez uma pesquisa bem legal,espero pelas outras capas!

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Publicado às janeiro 16, 2013 por em Capas e Edições, Uncategorized e marcado , , .

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